Pesquisar este blog

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Trabalhando com dicionários

O Uso do Dicionário


O Vendedor de Palavras
Fábio Reynol

Ouviu dizer que o Brasil sofria de uma grave falta de palavras. Em um programa de TV, viu uma escritora lamentando que não se liam livros nesta terra, por isso as palavras estavam em falta na praça. O mal tinha até nome de batismo, como qualquer doença grande, "indigência lexical". Comerciante de tino que era, não perdeu tempo em ter uma ideia fantástica. Pegou dicionário, mesa e cartolina e saiu ao mercado cavar espaço entre os camelôs. Entre uma banca de relógios e outra de lingerie instalou a sua: uma mesa, o dicionário e a cartolina na qual se lia: "Histriônico - apenas R$ 0,50!".
Demorou quase quatro horas para que o primeiro de mais de cinquenta curiosos parasse e perguntasse:
- O que o senhor está vendendo?
- Palavras, meu senhor. A promoção do dia é histriônica a cinquenta centavos como diz a placa.
- O senhor não pode vender palavras. Elas não são suas. Palavras são de todos.
- O senhor sabe o significado de histriônico?
- Não.
- Então o senhor não a tem. Não vendo algo que as pessoas já têm ou coisas de que elas não precisem.
- Mas eu posso pegar essa palavra de graça no dicionário.
- O senhor tem dicionário em casa?
- Não. Mas eu poderia muito bem ir à biblioteca pública e consultar um.
- O senhor estava indo à biblioteca?
- Não. Na verdade, eu estou a caminho do supermercado.
- Então veio ao lugar certo. O senhor está para comprar o feijão e a alface, pode muito bem levar para casa uma palavra por apenas cinquenta centavos de real!
- Eu não vou usar essa palavra. Vou pagar para depois esquecê-la?
- Se o senhor não comer a alface ela acaba apodrecendo na geladeira e terá de jogá-la fora e o feijão caruncha.
- O que pretende com isso? Vai ficar rico vendendo palavras?
- O senhor conhece Nélida Piñon?
- Não.
- É uma escritora. Esta manhã, ela disse na televisão que o País sofre com a falta de palavras, pois os livros são muito pouco lidos por aqui.
- E por que o senhor não vende livros?
- Justamente por isso. As pessoas não compram as palavras no atacado, portanto eu as vendo no varejo.
- E o que as pessoas vão fazer com as palavras? Palavras são palavras, não enchem barriga.
- A escritora também disse que cada palavra corresponde a um pensamento. Se temos poucas palavras, pensamos pouco. Se eu vender uma palavra por dia, trabalhando duzentos dias por ano, serão duzentos novos pensamentos cem por cento brasileiros. Isso sem contar os que furtam o meu produto. São como trombadinhas que saem correndo com os relógios do meu colega aqui do lado. Olhe aquela senhora com o carrinho de feira dobrando a esquina. Com aquela carinha de dona-de-casa ela nunca me enganou. Passou por aqui sorrateira. Olhou minha placa e deu um sorrisinho maroto se mordendo de curiosidade. Mas nem parou para perguntar. Eu tenho certeza de que ela tem um dicionário em casa. Assim que chegar lá, vai abri-lo e me roubar à carga. Suponho que para cada pessoa que se dispõe a comprar uma palavra, pelo menos cinco a roubarão. Então eu provocarei mil pensamentos novos em um ano de trabalho.
- O senhor não acha muita pretensão? Pegar um...
- Jactância.
- Pegar um livro velho...
- Alfarrábio.
- O senhor me interrompe!
- Profaço.
- Está me enrolando, não é?
- Tergiversando.
- Quanta lenga-lenga...
- Ambages.
- Ambages?
- Pode ser também evasivas.
- Eu sou mesmo um banana para dar trela para gente como você!
- Pusilânime.
- O senhor é engraçadinho, não?
- Finalmente chegamos: histriônico!
- Adeus.
- Ei! Vai embora sem pagar?
- Tome seus cinquenta centavos.
- São três reais e cinquenta.
- Como é?
- Pelas minhas contas, são oito palavras novas que eu acabei de entregar
para o senhor. Só histriônico estava na promoção, mas como o senhor se
mostrou interessado, faço todas pelo mesmo preço.
- Mas oito palavras seriam quatro reais, certo?
- É que quem leva ambages ganha uma evasiva, entende?
- Tem troco para cinco?




Fábio Reynol (1973), paulista da cidade de Campinas,  é jornalista e escritor. Trabalha como assessor de imprensa, redator para Internet e ghostwriter. Tem vários trabalhos, nenhum publicado, entre eles o livro-reportagem "A verdadeira história de Pedrinho Matador" escrito em parceria com a jornalista Patrícia Capovilla. Publicou, em fins de Novembro/2008, o livro "O vendedor de palavras — Crônicas de um país de tanga na mão e corda no pescoço".







Oficina 

















Apresentação da oficina:
Grupo 1:

Grupo 2:

Grupo 3:

Grupo 4:


Grupo 5:


Grupo 6:


Parabéns! Muito obrigada e muito sucesso a todos!!!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Trabalho com projetos

 O carteiro

SINOPSE:
Assim como todo mundo, os contos de fadas gostam de mandar e receber cartas. João, por exemplo, mal tem tempo de agradecer o gigante pelas ótimas férias que sua galinha de ovos de ouro lhe proporcionou. Cachinhos Dourados aproveita para se desculpar com a família Urso por ter causado confusão na casa. E o que seria da bruxa sem o catálogo de ofertas do Empório da Bruxaria, que esse mês oferece uma promoção especial de mistura para torta Menino Fofo? Por isso, quando o carteiro chega é sempre uma festa, e todo mundo o convida para entrar. Mas às vezes - especialmente em caso de Lobo Mau - ele prefere recusar o chazinho e dar no pé o mais rápido possível. O livro, que é todo contado em rimas, vem cheio de cartas de verdade, postais, livrinhos e convites, com envelope e tudo.



MAIS SOBRE O LIVRO...


O livro traz um interessante trabalho de intertextualidade inter-gêneros (MARCUSCHI, 2002) entre contos infantis e gêneros textuais epistolares Conjunto de epístolas de um autor escritas a diversas pessoas (e sua maioria) atuais, o que permite uma variedade de atividades e de projetos para a sala de aula. Todavia, para esse trabalho seria então necessário que as crianças já tivessem lido os seguintes contos: Cachinhos dourados e os três ursos; Branca de Neve e os sete anões; João e o pé de feijão; Cinderela; Chapeuzinho Vermelho.


       







































De forma geral, o livro contém diversos contos que trazem um carteiro como personagem principal e que realiza a sua tarefa entregando cartas para destinatários que são personagens das histórias dos contos infantis tradicionais. Assim, dentro do suporte envelope, são anexados a ele, no decorrer da história, vários gêneros textuais, com diferentes propósitos comunicativos, conforme se vê no quadro:



Oficina 1:
- Apresentação da situação e do projeto à classe:
 * Ler diferentes cartas trazidas pelo carteiro para atualizar a leitura dos contos infantis tradicionais e produzir uma carta final para um dos personagens de histórias infantis tradicionais.
 - Roda de leitura: relembrando os contos tradicionais presentes nos livros.

Objetivos
 * Motivar os alunos em torno de um projeto de comunicação coletivo: leitura e produção de cartas.
•Recordar com os alunos a sinopse dos contos infantis tradicionais.
•* Reunir as crianças em grupo para registrar as sinopses.
- Dramatização para reconhecimento de algumas personagens de contos infantis.

 Oficina 2
- Um pouquinhos de história: o desenvolvimento dos meios de comunicação.

Objetivos
* Compreender o desenvolvimento dos meios de comunicação a partir da leitura crítica da reportagem
* Recados do passado- veja como as pessoas trocavam mensagens em diferentes épocas, publicada pela Revista Recreio (n° 420, 27/03/08)


Oficina 3
- Reconhecimento das condições de produção do gênero textual 1: carta de pedido de desculpas

Objetivos
•Discutir por meio da leitura dos gêneros os elementos principais do contexto de produção por meio de um quadro comparativo entre eles.
* Debater oralmente para identificar as opiniões dos alunos.
•* Escrever uma lista de constatação sobre o gênero.


Oficina 4
- Reconhecimento das condições de produção gênero textual 2: panfleto de propaganda

Objetivos:
•Analisar, por meio de uma aula de leitura, duas propagandas de um mesmo produto voltadas a públicos distintos: a primeira a meninos e a segunda a meninas;
•* Refletir com as crianças, por meio do planejamento de uma aula de leitura sobre: o poder da propaganda, a importância dos destinatários, os recursos visuais tendo em vista os destinatários.
•* Leitura crítica do panfleto do livro, destinado à bruxa malvada, reconhecendo seus elementos do contexto de produção.

Oficina 5
- Reconhecimento das condições de produção gênero textual 3 e 4 : cartão postal e cartão de aniversário

Objetivos:
•Praticar a escrita de um cartão de aniversário trazido pelo professor.
•* Ler um cartão postal trazido pelo professor .
* Comparar os gêneros anteriores por meio de um quadro destacando-se os elementos do contexto de produção.
•* Escrever um registro com os alunos sobre as descobertas realizadas.


Oficina 6
- Reconhecimento das condições de produção dos gêneros textuais 4 e 5: carta de comunicação de publicação de livro e carta de comunicado de despejo.

Objetivos:
*Retomar os pontos aprendidos sobre a carta de pedido de desculpas.
•Ler as cartas presentes no livro.
*Praticar o reconhecimento do objetivo das cartas e de seus destinatários.
•* Escrever um registro diferenciando as três cartas trabalhadas.

Oficina 7
-A produção coletiva/grupo de uma carta para um personagem de um conto infantil trabalhado para dar continuidade ao livro

Objetivos:
*Produzir uma nova carta (em grupos) a ser levada pelo carteiro para uma personagem conhecida de contos infantis, a fim de continuar o processo de intertextualidade intergêneros.
•Realizar um debate oral sobre algumas possibilidades de gêneros e de situações para a carta.
•* Orientar o processo de planejamento.
•* Expor as cartas na sala.